Anotações

123/08

Como poso qualificar um objeto como arte e outro não? Tal objeto tem que ter um número de características específicas de uma obra de arte. Mas que características são essas? Por que consideramos que a “Brillo Box” de Andy Warhol é uma obra de arte e a própria caixa de Brillo não o é?
Segundo Danto a arte está ligada à sua história, a sociedade. “Nem tudo é possível em qualquer momento”. Uma obra de arte é possível de acordo com seu momento histórico. Assim, divide a Arte Ocidental em três lógicas: aquela que determina que a Arte é representação do Mundo – a lógica mimética (Arte Clássica, Renascentista, Barroca…)-, aquela que procura abolir com a referencialidade externa para exprimir as mais puras e latentes potencialidades daquela expressão artística (por exemplo, Pollock, onde a pintura deve mostrar os limites e os meios da própria pintura, é a pintura nela mesma) e, por fim, “aquela em que toda a noção de programa narrativo aparenta haver sido abolido por completo em prol de uma indagação que intenta estabelecer como se pode perceber um objeto, inserido no drama contemporâneo do enclausuramento referencial (clôture de la répresentation, para lembramo-nos de Derrida)”. É a arte iniciada a partir de Warhol, onde o próprio objeto existe como um questionamento, o objeto arte existe para nos questionarmos “o que seria arte”. É uma obra totalmente filosófica.
Então, para Danto, há duas coisas que precisam ser feitas para um objeto ser qualificado como arte. A primeira é que o artista assuma aquilo como um objeto de arte (assim o objeto tem uma significação) e depois o Mundo da Arte têm que aceitar aquilo como arte. E o Mundo da Arte é formado pelas galerias, curadores, colecionadores. Estes aceitando algo como arte a sociedade estará aberta a aceitar aquilo como também sendo. Podem até olhar torto, duvidar que aquilo realmente seja arte, mas o falácia da autoridade prevalece.

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A verdade

111/08

Estava eu a ler meus arquivos no blog e me deparo com esse trecho:

“Se as coisas mudam, se os conceitos mudam, as verdades mudam também. Pois o valor de verdade de uma proposição está ligado ao seu sentido (o que depende dos conceitos) e ao mundo (que está ligado devido ao sentido e aos conceitos).
Podemos dizer então que existe verdade?”

E isso me fez pensar numa coisa curiosa. Por que a maioria das pessoas acredita que a verdade não existe? Ainda mais quando se é jovem. É uma coisa engraçada quando se entra na adolescência. Você de repente não aceita normas de qualquer tipo (mesmo isso sendo uma norma), é contra todo tipo de governo e acha que tudo é opressivo. Vive desejando uma liberdade que não existe. E, cheio de complexos, entra num relativismo absurdo. E uma das coisas afetadas por esse relativismo é a crença de que se existe ou não coisas verdadeiras.

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Cinema.

68/08

(escrevendo com a cara toda melada de Sundow fator 50 e sentindo o rosto avermelhado ardendo).
Mal acabaram as filmagens e venho aqui escrever como foi. Para aqueles que não sabe, participo de um grupo de produção de cinema, por enquanto apenas de curta-metragens¹. E hoje terminava as filmagens do Íris, onde eu assino assistente de direção de arte.
Vida de cineasta não é fácil (convencida, mas vai lá). Tive que acordar às oito horas da manha de sábado, hoje. Acordar cedo já é ruim, imagine então num sábado. Às onze horas, após toda a equipe aparecer, fomos para o Morro da Atalaia, em Arraial do Cabo. O lugar é lindo de morrer, mas é longe. E, além disso, filmar lá da um puta trabalho.

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É engraçado como sempre esperamos que as coisas do futuro sejam melhores para nós. Quando temos cinco anos, desejamos ter mais de dez, porque assim poderemos fazer o que quisermos Quando temos quinze, desejamos ser maior de idade achando que assim teremos a tão desejada liberdade (grande utopia!).
Não sei se estou pensando nisso porque falta um mês para meu aniversário. Ou porque quando penso que vou completar vinte anos mês que vem eu percebo que minha vida é totalmente diferente daquilo que esperava quando pequena. Não que eu tenha deixado de fazer algo que gostava (pois não fiz isso) ou que eu esteja fazendo faculdade diferente da planejada, ou qualquer coisa do gênero. Mas é simplesmente porque percebo que com 20 anos não sou tão adulta assim.

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Vermelha.

50/08

E segunda fui na praia. Há muito tempo não ia, não porque não goste, mas por simples preguiça. Além disso, não sou aquele tipo de pessoa que vai pra praia pra ficar torrando no sol, nem gosto da água do mar. Gosto da luz, do barulho do mar batendo nas pedras, das criancinhas brincando na areia (são tão bonitinhas e engraçadas). Gosto de ficar caminhado na areia, sentido a água nos meus pés.

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